Silvia Moura
Reservas através do email bienaldedancace@gmail.com
23/10 | 18h | Casa da Silvia Moura - Fortaleza
24/10 | 18h | Casa da Silvia Moura - Fortaleza


Esse espetáculo é uma ação de resistência neste momento em que a sociedade em meio a inúmeras violências, medos, incertezas e o escancaramento das desigualdades sociais, tem na arte, em alguma medida, uma parceira para suportar os dias. Nesse sentido, é na potência da arte que eu encontro estímulos para criar . Essa obra tem como base a "Dança Desabafo", poética que utilizo para criar/pensar obras cênicas autobiográficas, construídas a partir de improvisos, textos, memórias e imagens.
Nesse momento de perda e ruptura ,onde a Casa se torna o principal personagem-espaço da obra, convido o público a entrar em minha casa e mergulhar em experiências entre o corpo e memória através de diversas mídias utilizando a dança, a performance e a palavra como principais pontes entre arte e vida.
Desta forma, ao revirar e trazer a tona minhas próprias memórias e processos artísticos dos últimos anos, proponho uma criação instalativa com objetos, figurinos, materiais cênicos, textos e outros resquícios da memória, usando minha casa como espaço cênico afetivo e local de guarda e preservação de minhas memórias de cena e de vida.
A casa como espaço físico, criativo e simbólico. A casa passa a ser parte do meu corpo que dança e convida o público a passear por memórias coreográficas, narrativas e estéticas. Esse corpo-casa- que se faz presente em cada cômodo, propõem um deslocamento por um espaço que foi tão necessário de ser resguardado e protegido, principalmente nos últimos anos: a casa. Um espaço que será demolido, que tem data para desaparecer do mapa.
O que compartilhar no íntimo de uma casa, após saber do fim, da demolição? Sem saber a resposta, pretendo falar sobre isso- envelhecer, findar, não existir, desaparecer.Compreendo que não serei mais a mesma depois de ter habitado por 22 anos uma casa que será demolida, como será conviver com isso ?Confesso que não sei.
E sigo me perguntando que dança pode ser dançada sobre tudo isso ????? Como se faz para manter viva a casa na memória, agora?
Como continuar dançando e criando em arte noutro espaço? O que se tornou minha casa?
Qual o significado de habitar ?
A partir destas e outras incertezas e muitas perdas, eu como artista decidi falar, criar, escrever, dançar sobre isso.
Algo que Não será mantido. A casa e eu, por vezes nos misturamos, nos tornamos corpo uma da outra.
Refúgio e Memória. Achados e Perdidos.Uma experiência de Habitar.
Criação/interpretação/coreografia Silvia Moura | Músicos Manuel Belisário, Diego Fernandes e Marcelo Gonçalves | Pinturas e murais Iná Moura, Noandro Meneses e Silvia Moura |Instalações e montagens Silvia Moura, Iná Moura e Noandro Meneses | Lambes Noandro Meneses | Iluminação Silvia Moura e Leandro Mateuzo | Interlocução de textos e cenas Priscila Queiroz e Lara Denise | Captação de imagem e vídeo Allan Diniz | Fotos Luiz Alves e Dario Ferreira | Coproduçao Quitanda Soluções Criativas
Silvia Moura é artista das conexões possíveis, entre o corpo e o pensamento. Comunica-se através das mais diversas mídias, utilizando a dança, a performance e a palavra como principais pontes para essa viagem, entre sua vida e o olhar do público. Relação essa que permeia sua "dança-desabafo", tornando-a uma das artistas mais emblemáticas no que diz respeito à educação, produção e difusão da dança no Ceará. Atuando na dança desde 1976, Sílvia Moura é formada pelo extinto Colégio de Dança do Ceará. No currículo, destacam-se os espetáculos : ‘A Cadeirinha e Eu’, ‘Engarrafada’, ‘Corpo x Lixo x Cidade’, ‘À Beira de...’ (trabalho que circulou país pelo Projeto Palco Giratório em 2017), ‘A dança nossa de cada dia” (criado no Laboratório de Criação em Dança da Escola Porto Iracema), ‘Tempestade’ e ‘Se ela dança eu dança’ (duo com ator Ricardo Guilherme).